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1964 |
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A paixão segundo G.H. |
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A escultora G.H. nos conta sua experiência vivenciada a partir do instante em que
entra no quarto da ex-empregada, vê o surgimento de uma barata no guarda-roupa e
a esmaga na porta. Daí em diante, tomada por uma mistura de medo e repulsa, G.H.
vive com a barata durante horas e horas a sensação de ter perdido a sua "montagem
humana". A incapacidade de dar forma ao que lhe aconteceu, a aceitar este estado
de perda, a leva a imaginar que alguém está segurando a sua mão. Desta maneira,
o leitor passa a viver junto com a personagem esta experiência singular.
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“Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia
– a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa
minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la
–, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro,
não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil
que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me mesmo
seja de novo a mentira que vivo.”
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Possibilidades pedagógicas:
Ter a garantia de pensar que entende o que se é, o que se vive, é
um dos modos de viver. Mas o que fazer quando se descobre um outro modo de
viver, onde se perde a própria "montagem humana"? E como ter a
coragem de manter-se nesse estado? O leitor que se aproximar desta obra deve-se
colocar disponível para o exercício da reflexão sem limites,
para viver o que não entende, para aceitar a limitação da linguagem
humana ao tentar traduzir as experiências existenciais.
Temas transversais:
1. Existência e linguagem. Página 20.
2. Busca da identidade. Páginas 31 e 32.