1977
A hora da estrela
Release do Livro

Último livro escrito por Clarice Lispector, e o mais popular entre seus romances, publicado pouco antes de sua morte, em 1977, A hora da estrela é também a despedida da escritora. Não à toa, este clássico da literatura brasileira é o segundo livro da autora a ganhar nova capa, numa justa homenagem da Rocco à grande dama da literatura brasileira, cuja obra completa dez anos de casa em 2009. O relançamento da obra completa de Clarice Lispector teve início em dezembro de 2008, com a publicação, em nova edição, da coletânea de crônicas A descoberta do mundo.


A hora da estrela acompanha os momentos de criação do escritor Rodrigo S. M. (a própria Clarice) narrando a história de Macabéa, uma alagoana órfã, virgem e solitária, criada por uma tia tirana, que a leva para o Rio de Janeiro, onde trabalha como datilógrafa.


Em seu último romance, Clarice escreve sabendo que a morte está próxima e põe um pouco de si nas personagens Rodrigo e Macabéa: ele, um escritor condenado por uma doença terminal; ela, uma mulher solitária que teve uma infância pobre no Nordeste, como Clarice. Na “Dedicatória do Autor”, Clarice oferece a obra e ela própria à música de Schumann, Beethoven, Bach, Chopin, Stravinsky, Richard Strauss, Debussy, Marlos Nobre, Prokofiev, Carl Orff, Schönberg e outros “que em mim atingiram zonas assustadoramente inesperadas”.


A despedida de Clarice é uma obra instigante e inovadora. Como diz o personagem Rodrigo, “estou escrevendo na hora mesma em que sou lido”. É Clarice contando uma história e, ao mesmo tempo, revelando ao leitor seu processo de criação e sua angústia diante da vida e da morte.


Macabéa, a nordestina, cumpre seu destino sem reclamar. Feia, magra, sem entender muito bem o que se passa à sua volta, é maltratada pelo namorado Olímpico e pela colega Glória. Os dois são o seu oposto: o metalúrgico Olímpico sonha alto e quer ser deputado, e Glória, carioca da gema e gorda, tem família e hora certa para comer. Os dois acabam juntos, enquanto Macabéa, sozinha, continua a viver sem saber por que está vivendo, sem pensar no futuro nem sonhar com uma vida melhor. Até que um dia, seguindo uma recomendação de Glória, procura a cartomante Carlota, uma ex-prostituta do Mangue, que revela a Macabéa toda a inutilidade de sua vida. Mas também enche-a de esperança, prevendo a paixão por um estrangeiro rico, com quem ela iria se casar.


Ao sair da casa da cartomante, num beco no subúrbio carioca de Olaria, ainda atônita com o que ouvira, Macabéa tenta atravessar a rua, mas é atropelada por um Mercedes de luxo. Estirada na paralelepípedo, com curiosos à sua volta, pronuncia suas últimas palavras – "quanto ao futuro" –, também um dos vários títulos de A hora da estrela.


A morte de Macabéa é também a morte de Clarice. Incorporada ao escritor Rodrigo, a autora diz: “Macabéa me matou. Ela estava enfim livre de si e de nós. Não vos assusteis, morrer é um instante, passa logo, eu sei porque acabo de morrer com a moça.”


As desventuras de Macabéa foram transpostas para o cinema pela diretora Suzana Amaral em 1985, num filme hoje considerado clássico e que foi consagrado como o recordista de premiações no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro ao arrebatar 12 troféus. Além disso, revelou a atriz Marcélia Cartaxo, que recebeu o Urso de Prata do Festival de Berlim de 1986, e foi um dos filmes nacionais mais vistos no exterior, por ter sido vendido para mais de 20 países.

  

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