Clarice Jornalista Helen Palmer
       Separada do diplomata Maury Gurgel Valente e acompanhada de seus dois filhos pequenos, Pedro e Paulo, Clarice Lispector retorna ao Brasil para viver no bairro do Leme, no Rio de Janeiro. Nesta época, ela  inicia nova colaboração com os periódicos cariocas. De agosto de 1959 a fevereiro de 1961, ela assume o pseudônimo de Helen Palmer para assinar a coluna “Correio feminino – Feira de utilidades”, no jornal Correio da Manhã. O espaço tinha o patrocínio da indústria de comésticos Pond’s, e deveria dar dicas de beleza a partir dos produtos da empresa, sem citar explicitamente sua marca.

       Clarice Lispector fez de Helen Palmer um conselheira de moda, beleza e, principalmente, de sedução. Em colunas como “Cursinho de emergência”, “Cursinho sobre cabelos” e “Cursinho sobre perfume”, as receitas visavam a conquista do bem-amado. A mulher deveria ter a pele bem cuidada, os olhos brilhantes, os cabelos sedosos e, principalmente, uma personalidade cativante – delicada, alegre, com gestos contidos e muita feminilidade.  Nada de vestidos muito justos, saltos muito altos, excesso de jóias ou de pintura que, segundo a colunista, os homens detestam. Helen Palmer orientava sua leitora a ser discreta, pois “chamar a atenção não é a finalidade de uma mulher elegante e inteligente” , como pode ser conferido na coluna publicada em 04 de maio 1960.  

Discrição
Você naturalmente sabe que chamar a atenção não é de bom-tom e dá sempre uma impressão muito má da mulher. Seja pela roupa escandalosa, pelo penteado exótico, pelo andar, pelos modos, pela risada grosseira, seja, enfim, de que maneira for a mulher que chama a atenção sobre a sua pessoa o único troféu que merece é o da vulgaridade. A mulher elegante é discreta. Sua superioridade está nos detalhes cuidados na harmonia das cores, no bom gosto dos acessórios. Se ela é também bonita, a beleza é por si só um ponto de atração para os olhos, sem precisar ser orientada. Os homens, geralmente muito discretos, detestam as mulheres que se destacam demais, onde quer que apareçam. Não apenas pela sua própria maneira de ser, mas também por uma questão de vaidade masculina, já que não lhes é agradável ficar ofuscados ou relegados a um plano inferior.




  

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